FAROL DAS LETRAS

Jet Jeferson lê  o poema

"Os Ombros Suportam o Mundo", de Drummond.

Os Ombros Suportam O Mundo

Chega um tempo em que não se diz mais: meu
Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos
edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

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Se existe uma unanimidade em Teófilo Otoni, é esta: Jet Jeferson é o melhor locutor de todos os tempos da região. Por isso, o VOX escolheu-o para apresentar o projeto "Farol das Letras". Aqui, toda semana será veiculado, na voz de Jet Jeferson, um texto de um autor mundialmente famoso. Hoje, foi a vez dos versos do mineiro Carlos Drummond de Andrade.

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